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Após seis reajustes mensais, preços devem se acomodar

22/6/2010 - Fonte: Stella Fontes, de São Paulo

Após seis aumentos mensais em 2010, os preços da celulose de fibra curta deverão se acomodar nos próximos meses em razão de fatores sazonais. Um dos principais motivos para a provável interrupção da trajetória de alta, que levou as cotações para acima dos níveis verificados no período pré-crise, é a ocorrência das férias no Hemisfério Norte, que tradicionalmente desaceleram as compras da matéria-prima para produção de papel.

Contudo, um novo reajuste poderá vir ainda em 2010, provavelmente no quarto trimestre, o que levaria o preço da celulose de fibra curta vendida no mercado europeu para US$ 950 a tonelada, perto da marca história de US$ 1 mil por tonelada atingida em meados da década de 90. Desde janeiro, os sucessivos aumentos somam US$ 220 por tonelada - na Ásia, a alta acumulada é de US$ 190.

O último aumento, anunciado pela Fibria em maio, já sinalizava para um provável enfraquecimento no ciclo de preços. O fato de ter sido implementado em apenas dois dos três mercados de referência, segundo analistas, trouxe indícios de que os produtores começaram a encontrar dificuldades para novos reajustes. A partir deste mês, a tonelada de celulose de fibra curta passou a ser negociada a US$ 950 na América do Norte e US$ 920 na Europa, com alta de US$ 30 em relação aos preços de referência praticados em maio.

No mercado asiático, a cotação foi mantida em US$ 850 a tonelada. À época, uma fonte da indústria atribuiu a manutenção dos preços ao início de operação de uma fábrica da April na China, com capacidade para 1,3 milhão de toneladas por ano da matéria-prima e foco no abastecimento do mercado chinês.

Apesar da provável interrupção na trajetória de alta, o analista Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, reitera, em relatório de ontem, a perspectiva positiva para as cotações até 2013 e chama a atenção para um "super ciclo" de preços. Em 2010, diz o analista, há margem para mais um reajuste, de US$ 30 por tonelada, que deve ser anunciado no último trimestre. "Estamos confiantes de que os preços seguirão elevados por período mais longo em razão da oferta limitada e do crescimento da indústria papeleira da China", afirma.

Entre os investidores, contudo, predomina o receio de que os preços da celulose possam experimentar um período de queda acentuada, com curto intervalo de tempo. Conforme Aguiar, esse temor está expresso na performance recente das ações do setor, porém não deve se confirmar por uma série de motivos. "A demanda chinesa está crescendo, a oferta adicional é limitada e os mercados europeu e americano estão se recuperando gradualmente."

Segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), as exportações de celulose totalizaram 673 mil toneladas em abril, uma queda de 12,1% ante o registrado um ano antes e de 24% frente a março em razão de problemas no embarque. No acumulado dos quatro meses do ano, entretanto, os volumes embarcados mostram alta de 9,8%.

A China, conforme a entidade, vem mantendo papel de destaque nas compras da matéria-prima nacional. Em quatro meses, importou o equivalente a US$ 393 milhões, com expansão de 18,4% na comparação com o verificado no mesmo intervalo de 2009.

 

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