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1-
Reciclagem de Papel
Reciclagem
de papel significa fazer papel empregando como matéria-prima,
papéis, cartões, cartolinas e papelões,
provenientes de :
.
rebarbas geradas durante os processos de fabricação
destes materiais, ou de sua conversão em artefatos,
ou ainda geradas em gráficas;
. artefatos destes materiais pré ou pós-consumo.
Aparas
de papel é a denominação genérica
para essas matérias-primas.
Fibras
Virgens X Fibras Secundárias.
Fibras
celulósicas são aquelas que ainda não
foram utilizadas para fazer papel e fibras celulósicas
secundárias são aquelas que já passaram
pelo menos uma vez por uma máquina de papel.
Um papel reciclado contém fibras secundárias.
Origem
das Aparas
As
aparas provêm principalmente de atividades comerciais
(escritórios, lojas, supermercados), e em menor quantidade
de residências e de outras fontes, como instituições
e escolas.
-
residências
- outras fontes
- atividades industriais e comerciais
As
aparas de papel podem ser recolhidas por um sistema de coleta
seletiva, ou por um sistema comercial, utilizado há
anos, que envolve o catador de papel e o aparista
A
atividade de reciclagem no Brasil se confunde com as próprias
origens da fabricação de papel no País.
As
primeiras fábricas brasileiras de papel instaladas
há mais de seis décadas, se utilizavam de papéis
descartados para a produção de novos papéis.
Nessa ocasião, a quase totalidade das necessidades
brasileiras de papel, em seus diferentes tipos, eram supridas
por fornecedores do Exterior.
O
passo seguinte da indústria brasileira foi a produção
de papéis utilizando matérias-primas virgens
importadas, em especial a celulose de fibras longas.
Só
a partir do início da década dos anos 70, a
indústria brasileira de celulose começa a ter
expressão, passando os fabricantes de papel a utilizarem
as matérias-primas virgens de origem nacional, simultaneamente
com as de origem estrangeira.
A destacar que, na medida em que se ampliava a fabricação
de papel no País a partir de matérias-primas
virgens, estimulando um maior consumo, paralelamente se ampliava
a atividade de reciclagem, conseqüência da maior
disponibilidade de papéis recicláveis.
Verifica-se,
assim, que a atividade de reciclagem de papel no Brasil tem
seu fundamento em questões de natureza essencialmente
econômicas.
Em
tempos recentes, a reciclagem de papel vem apresentando um
destaque crescente, na medida em que contribui para a preservação
e conservação do meio-ambiente e para a solução
da questão da destinação dos lixos urbanos.
2 - A formação do mercado.
O sistema de reciclagem de papel tem:
a)
catadores de rua
b) instituições (escolas, empresas etc.)
c) pequenos depósitos
d) os aparistas
Embora
já antiga, ainda está em vigor uma extensa classificação
dos diferentes tipos de aparas e papéis usados, caracterizando
cada um desses tipos, estabelecendo níveis máximos
de umidade e impurezas, e definindo os materiais proibitivos.
Há
ainda a considerar os tipos mistos (I,II e III), que estima-se
sejam gerados em 10% por papéis para escrever e imprimir,
em 20% por papéis para jornais e revistas em 20% por
cartões e cartolinas, em 40% por papéis para
ondulado e, finalmente, em 10% por papéis de embalagem
em geral.
3
- Os empregos envolvidos
São
100.000 funcionários diretos e, estima-se que entre
catadores de rua e agregados, o total de pessoas que vivem
das aparas e do sistema de reciclagem alcance 200.000 pessoas.
4
- Vantagens competitivas das aparas
a) o preço médio da fibra para a fábrica
pode ser ajustado para baixo com o uso da apara, que é
mais barata que a fibra virgem.
b) Garante a produção em tempos de escassez
de celulose.
5
- A estruturação da categoria
Familiar,
em processo de troca de geração
6
- Dificuldades e oportunidades
a) Na medida em que se ampliou a fabricação
de papel no País, a partir de matérias-primas
fibrosas virgens, estimulando um maior consumo, paralelamente
se ampliou a atividade de reciclagem, conseqüência
da maior disponibilidade de papéis recicláveis.
b)
A atividade de reciclagem de papel no Brasil, que tem seu
fundamento em questões de natureza essencialmente econômicas,
é a avultada em importância por sua contribuição
para o saneamento ambiental.
c)
As matérias-primas fibrosas virgens são a porta
de entrada para o processo de reciclagem.
d)
A reciclagem é uma atividade complementar e não
substituta da produção de matérias-primas
virgens.
e)
A análise da distribuição do consumo
de papéis no Brasil conduz a identificação
dos seguintes pontos de geração de papéis
recicláveis:
. convertedores
.supermercados, lojas e empresas
.escritórios
. residências
f)
Analisando-se a geração dos papéis, pode-se
classifica-los em dois grandes grupos: aparas e papéis
usados, estes, sob o ponto-de-vista legal enquadrados como
sucatas de papel.
g)
O principal item de formação dos preços
de comercialização dos papéis recicláveis
é o custo da coleta, que apresenta forte variação
em função dos pontos de geração
e do tipo de material gerado.
h)
As aparas brancas tem seu valor de negociação
nos pontos de geração fixado em função
dos preços em vigor para as matérias-primas
virgens, de vez que são substitutos plenos dessas matérias-primas.
Já a negociação do preço das aparas
Kraft, aparas de cartolina, aparas de tipografia e caixas
de papelão ondulado se faz em função
das condições conjunturais do mercado de oferta
e demanda dos materiais recicláveis.
i) Em períodos de grande procura por papéis
recicláveis, surge a figura dos "catadores de
papel", que coletam os papéis descartados nos
pequenos pontos de geração, evitando que os
mesmos sejam lançados ao lixo comum.
j)
A Anap conceitua como fabricante reciclador a empresa em que
o consumo de papéis recicláveis, na produção
de papel, represente mais de 50% do total de matérias-primas
fibrosas consumidas.
k)
Das empresas fabricantes de papel no Brasil cerca de 184 se
enquadram como fabricantes de papel. Assinala-se, entretanto
que 124 são recicladores respondendo por 33,4% da produção
nacional. (Fonte: Bracelpa).
l)
Na medida em que o ciclo de reciclagem se repete, as fibras
vão se tornando menores, em conseqüência
das operações de refino realizadas para a uniformização
da massa fibrosa, tornando-se assim cada vez mais fracas.
Na prática, a reciclagem de papel só se torna
possível graças a constante entrada no processo
de novos papéis recicláveis produzidos total
ou parcialmente com matérias-primas fibrosas virgens.
m)
A intensidade do processo de reciclagem em um país
ou região é habitualmente medida pela taxa de
recuperação, que relaciona a quantidade de papéis
recuperados com o consumo aparente de papéis de todos
os tipos no país ou região considerados.
n)
O Brasil apresenta níveis de recuperação
de aparas e papéis usados afinados com a média
mundial.
o)
Hoje no Brasil são recuperadas em média 2.611
mil toneladas de papel, sendo 80% para embalagens, 18% para
fins sanitários e, apenas 2% para impressão.
p)
A quantidade de papel recuperado depende essencialmente da
quantidade e do tipo consumido em um país ou região.
Fatores fundamentais são também a estrutura
sócio-cultural, o grau de desenvolvimento econômico
e a extensão territorial desse país ou região.
q)
No Brasil cerca de 44% dos papéis estão classificados
na categoria de "embalagem".
Conseqüentemente, não causa admiração
que 55% dos papéis recuperados sejam de "papelão
ondulado".
r)
A taxa de recuperação dos diferentes tipos de
papéis recicláveis em função do
tipo de geração apresenta acentuada diversidade,
conseqüência de usos e costumes da população
brasileira e do grau de dificuldade da atividade de coleta.
s)
As taxas de recuperação de papéis recicláveis
nas regiões sul e sudeste do Brasil chegam a se igualar,
e mesmo superar, as de países intensamente envolvidos
com a atividade de reciclagem, como Japão, Estados
Unidos da América e países da Comunidade Européia.
Já as taxas de recuperação nas regiões
norte, nordeste e central são muito baixas, provavelmente
por não existir nessas regiões unidades industriais
onde os papéis recicláveis possam ser utilizados
para a produção de novos papéis.
A
instabilidade nos preços, incentiva e depois desarticula
a coleta. Um grande número de aparistas nos últimos
5 anos desistiram das atividades.
As
melhores oportunidades se apresentam quando a celulose no
mercado internacional sobe de preço, puxando o preço
das aparas. Têm sido ciclos históricos que, quando
terminam deixam aparistas "feridos de morte", pois
não se pode prever sua duração ou intensidade.
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