Conselheiro da Anap Carlos Ribeiro é entrevistado pela jornalista Gabriela Gasparin / G1 na Expocatadores 2013 – Anap

Catadores de materiais recicláveis realizam até esta sexta-feira (20), em São Paulo, a quarta edição da feira Expocatadores, que busca estimular negócios e debater o avanço de políticas na área de reciclagem. Entre os pouco mais de 30 estandes que ocupam o espaço, há grandes empresas divulgando suas políticas no setor, recicladores e até a exposição de uma corroça motorizada de R$ 13 mil, para agilizar a coleta nas ruas.

O novo modelo do carro motorizado tem quatro marchas (incluindo a ré), injeção automática, setas e velocidade máxima de sete quilômetros por hora – a de uma rápida caminhada humana.

De acordo com o fabricante, Ronaldo Carvalho de Souza, o carro suporta 500 quilos e três metros cúbicos de material e agiliza de três a cinco vezes o trabalho do catador. Até o final do ano, serão entregues 50 unidades para cooperativas em todo o país.

A previsão da empresa é ultrapassar as 500 unidades vendidas em 2014. Outras 70 unidades já foram vendidas desde que o equipamento foi desenvolvido, em 2009, mas a previsão da empresa é ‘deslanchar’ as vendas a partir do ano que vem.

A edição deste ano acontece em um dos pavilhões do Centro de Exposições do Anhembi e recebeu até a visita da presidente Dilma Rousseff na quinta-feira (19).

Diferentemente da maioria das grandes feiras que acontecem no Anhembi, contudo, a dos catadores carece de números: não há os milhões de reais em negócios fechados e os expositores evitam falar em valores de venda e comercialização dos produtos, tendo em vista que o preço do material reciclado varia muito de acordo com a época, a demanda e o aquecimento da economia.

“Eu já cheguei a vender um quilo de papel a R$ 0,45 e outra vez a R$ 8. Também já cheguei a mandar o material para o aterro porque era mais barato mandar para o aterro do que tentar vender”, disse Carlos Ribeiro, da CBS Aparas e integrante do conselho de administração da Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap). 

As empresas do setor recebem o papel usado de cooperativas e empresas e os preparam para a indústria que fará a reciclagem (tiram rebarbas, ordenam e prensam). Por conta da crise econômica,  Ribeiro disse que o setor passa por estabilidade em 2013, após queda na comercialização desde 2008.

Elder Rondelli, da gerência de reciclagem da Recicla BR, que reúne recicladoras de alumínio, afirmou, contudo, que tem crescido anualmente a quantidade de metais reciclados pelo grupo. São aproximadamente 150 mil toneladas por ano. Para este ano ele estimou uma alta de 5% sobre 2012.

Entre os expositores, grandes empresas como Tetra Pack, Nestlé e Braskem divulgam investimento na área. Um dos estímulos para a atuação dessas empresas é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, que responsabiliza o fabricante pelo retorno das embalagens de seus produtos ao mercado, em vez do descarte.

A Tetra Pak, por exemplo, investe R$ 12 milhões ao ano num projeto para estimular a reciclagem de suas embalagens. De acordo com Juliana Seidel, especialista de meio ambiente da empresa, em 2012, 29% das embalagens da Tetra Pak foram recicladas, o equivalente a 65 mil toneladas, alta ante a fatia de 27% de 2011. Neste ano a previsão e de chagar as 70 mil toneladas, mas o número ainda não foi fechado.

A empresa investe em tecnologia e capacita empresas para reciclar seus produtos. Segundo Juliana, 35 empresas reciclam as embalagens (12 trabalham com o papel e as demais com o plástico e alumínio).  “A Tetra Pak investe em reciclagem para se manter no mercado”, diz.

Para os catadores, contudo, ainda falta políticas de conscientização para a população separar os materiais após o uso para que sejam usados na reciclagem. “Falta ação do poder público voltada à sociedade para fazer coleta seletiva”, disse Severino Lima Junior, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Catador no Rio Grande do Norte desde os 12 anos, ele disse que os catadores são o lado menos favorecido do ciclo de reciclagem e que quanto mais estímulo existir para o setor, maior é a oportunidade de melhorar a renda do catador – que ele disse que varia de R$ 800 a R$ 2 mil por mês. Ele estimou, em média, que o mercado paga R$ 2,60 pelo quilo da latinha de alumínio, de R$ 1 a R$ 2,50 pelo da garrafa PET e de R$ 0,15 a R$ 0,37 pelo do papel – mas tudo varia de acordo com a demanda e região do país.